Alex Sandro dos Santos, Elisa Yoshie Ichikawa
Este ensaio teórico parte da compreensão de que a racionalidade produtivista, intensificada pelas dinâmicas neoliberais, atravessa o cotidiano ao capturar corpos, afetos e temporalidades, convertendo a vida em uma sequência contínua de desempenho. Diante desse cenário, defende-se que práticas coletivas, especialmente as festas populares, tensionam essa lógica dominante ao instaurarem pausas, desvios e formas alternativas de organização social. As festas são abordadas não como expressões culturais periféricas ou simples momentos de lazer, mas como práticas organizacionais que operam por outras racionalidades. Fundadas na partilha, no excesso e na gratuidade, contrastam com os princípios da eficiência e da funcionalidade, desestabilizando, ainda que provisoriamente, a ordem produtivista. O ensaio propõe, assim, um deslocamento analítico que reconhece nas festas não apenas gestos simbólicos de resistência, mas também invenções de modos de vida e pertencimento coletivo. Ao longo do texto, argumenta-se que essas práticas não apenas interrompem a norma, mas produzem formas legítimas de organização, conhecimento e vínculo social, contribuindo para ampliar o campo dos Estudos Organizacionais.
Palavras-chave: Ordem produtivista, Festas populares, Resistência, Invenção.
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