Huallady Amantino Bitencourt de Proença
Este artigo teórico identifica as disfunções e custos que emergem quando a integração vertical, concebida pela teoria dos custos de transação (TCT) como solução para falhas de mercado, é estendida para além de seu ponto ótimo, transformando a hierarquia em fonte de novos problemas transacionais. Mobilizando os pressupostos comportamentais fundamentais da TCT, tanto a racionalidade limitada, quanto o oportunismo (WILLIAMSON, 1985), o estudo elucida que a internalização de transações não elimina esses atributos, mas os desloca para o âmbito interno da firma. Sob a lente da racionalidade limitada, analisam-se cinco disfunções: custos de burocracia, sobrecarga cognitiva dos gestores, custos de coordenação interna, problemas de mensuração e inflexibilidade estrutura-estratégia. Sob a lente do oportunismo, examinam-se outras cinco: folga organizacional, perda de incentivos de alta potência, custos de agência, problemas de influência e hold-up de ativo específico humano. O artigo demonstra que a fronteira da firma é permanentemente tensionada pelo dilema entre conter custos externos ou administrar suas manifestações internas, sugerindo que a TCT deve incorporar, de forma mais sistemática, as falhas da hierarquia em sua análise comparativa de estruturas de governança.
Palavras-chave: Integração Vertical; Teoria dos Custos de Transação; Racionalidade Limitada; Comportamento Oportunista; Disfunções e Custos da Hierarquia.
⬇ Baixar PDF