Lucilene Aparecida Francisco, Sayonara Doraci da Silva
A terceirização no setor público brasileiro tem se consolidado como uma estratégia recorrente de gestão, especialmente no âmbito das universidades públicas, contexto marcado por restrições orçamentárias, reformas administrativas e redução do quadro de servidores efetivos. Esse processo tem produzido transformações significativas na organização do trabalho e imposto novos desafios à Gestão de Pessoas. Este artigo tem como objetivo analisar, a partir de uma revisão da literatura recente, a maneira como a terceirização influencia a Gestão de Pessoas nas universidades públicas brasileiras. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa qualitativa, de natureza bibliográfica, com abordagem descritivo-analítica, fundamentada na análise de artigos científicos, publicados entre 2015 e 2025, consultados nas bases Spell, SciELO e Google Acadêmico. A análise dos estudos evidenciou que a terceirização, embora frequentemente justificada por critérios de eficiência e racionalização de custos, tende a aprofundar a fragmentação dos vínculos laborais, a precarização do trabalho e as desigualdades internas, impactando negativamente o clima organizacional e o sentimento de pertencimento dos trabalhadores. Os resultados indicam que a Gestão de Pessoas enfrenta o desafio de atuar em um ambiente marcado por múltiplos regimes de contratação, exigindo competências ampliadas relacionadas à gestão de contratos, à mediação de conflitos e à promoção de ambientes organizacionais mais equânimes. Conclui-se que a terceirização influencia significativamente a Gestão de Pessoas nas universidades públicas, demandando uma atuação estratégica que ultrapasse a lógica contratual e considere os efeitos institucionais, humanos e éticos desse modelo de gestão.
Palavras-chave: Gestão de Pessoas. Universidades Públicas. Clima Organizacional. Administração Pública.
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