Telma Cristina Guimarães de Oliveira, Afonso Pereira da Silva Filho
A permanência na pós-graduação tem sido amplamente discutida a partir de políticas institucionais de assistência e das estratégias individuais mobilizadas pelos estudantes para enfrentar as exigências da formação acadêmica. Este ensaio propõe um deslocamento dessa perspectiva ao compreender a permanência como uma produção micropolítica continuamente constituída nas relações entre universidade, trabalho, deslocamentos, cuidado e redes de apoio. Fundamentado na cartografia de Guattari e Rolnik, o estudo acompanha acontecimentos cotidianos como analisadores dos processos de produção de subjetividade que sustentam a continuidade da vida acadêmica. A estrada, o trabalho, o cuidado, os encontros e as mudanças institucionais são analisados como territórios existenciais onde a universidade é continuamente produzida para além de seus limites físicos. Argumenta-se que a permanência não corresponde a um atributo individual nem a um estado de estabilidade, mas a um processo relacional, coletivo e permanentemente reinventado, que desafia os arranjos tradicionais da gestão pública universitária. Ao deslocar o foco dos sujeitos para os processos que tornam a formação possível, o ensaio contribui para ampliar o debate sobre permanência e gestão de políticas públicas na pós-graduação, evidenciando a dimensão micropolítica da produção da vida acadêmica.
Palavras-chave: Cartografia. Micropolítica. Permanência na Pós-Graduação. Gestão Pública Universitária. Territórios Existenciais.
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